Rápido, vá devagar


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Escrito por Ivan Postigo
Estamos em uma enrascada.
Quem passou a vida trabalhando mais de doze horas por dia, não são poucos, acha que não vale à pena.
No norte da América, onde as ideias que dão certo tornam jovens milionários, o excesso de esforço tem sido questionado e a defesa a uma vida com melhor qualidade veiculada, o que dizer então a respeito do sul?

Ir rápido porque e para onde?

Mulheres no topo das organizações já não é mais novidade. Não só são aceitas como incentivadas.
Algumas optaram por desenvolver suas carreiras, trocando de posição com os maridos, que cuidam da casa e das crianças.
Estranho? Não mais. Agora, estranho é estranhar.
Conforto não é de graça. Nada é grátis nesta vida. Ora, então que o providencie quem tiver as oportunidades.
Qual a novidade então? Elas estão enfartando mais!

Filhos, poucos e bem cuidados. Quem puder e souber os eduque, pois as ruas farão o contrário.
Vovó lavava a boca dos netos com sabão quando diziam palavrões, insistia para que tomassem cuidados, pois os costumes de casa iam à praça.
O mundo mudou. O chinelo foi aposentado, o sabão proibido, vovó foi para o retiro, os pais estão ausentes para obter renda para comprar o conforto, com isso os costumes da praça agora é que vão a casa.

Palavrões em casa? C…caramba, como falam!
Mundo aberto, sem proibições. Descriminalizar é a moda.
Um amigo perdeu o filho. As drogas o levaram. Overdose. Não é mais o mesmo. Jamais imaginou que isso pudesse acontecer.
O garoto sempre foi excelente aluno, exceto no último ano em que se envolveu com as drogas e ninguém sabia o que estava acontecendo.
O que pensa hoje o pai?
Não sei. Anda pensativo. Diz que tinha a mente aberta, mas neste momento apenas boca fechada.

Conhece pessoas com HIV positivo?
Eu conheço. A guardete de uma empresa de serviços que contratei e o filho de um amigo. Meu contato, até então, era o filme Filadélfia com Tom Hanks.
Senti o peso da questão quando ele se sentou em minha sala e em prantos falava sobre o impacto da notícia.
Em segundos assisti meu próprio filme: Também tenho filhos!
Sempre que posso digo a eles: – Vão com calma, sejam cuidadosos, prevenidos…
Eles ouvem? Sempre.
Respondem? Só quando os encho muito. A frase é curta e direta: – Dá um tempo!
Estão apenas usando o que aprenderam comigo quando eu queria que parassem com as peraltices.

E as conquistas? Muitas.
E o tempo para desfrutar? Pouco.
Lembra do velho ditado das duas alegrias: Uma na compra e outra na venda?
Cada vez mais válido.
Um domingo, pela manhã, encontrei um amigo com uma maravilhosa motoca prata, mais de mil cilindradas. Feliz. Tinha realizado um sonho.  Insistia para que eu também fizesse o mesmo.
Passado algum tempo voltei a encontrá-lo caminhando. Disparei – Cadê a moto?
Ele, mais feliz ainda, respondeu: – Vendi. Não tinha tempo para usar.
Disse: Puxa, ainda bem que não te ouvi.
Ele:- Sorte sua, porque vender foi minha segunda alegria.
Aproveitei e perguntei: – Preciso fazer uma revisão no carro, quando posso deixar contigo? – um dos melhores mecânicos que conheço.
Levei um susto com a resposta: – Passa lá sábado a tarde.
Um tambor batia incessantemente na minha mente: Sábado à tarde?
Não tinha tempo para a motoca, mas tem para trabalhar?

Estamos todos muito ocupados. Será que a questão está em trabalhar mais ou melhor?

Acho que não tem jeito. Rápido, mas muito rápido, teremos que ir mais devagar!

Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão

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